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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Escrevendo por aí de madrugada

Ainda era cedo e ela não via a hora passar. Sentada, olhava para a mandala que fora colocada na parede na semana anterior. Presente. Admirava o emaranhado de linhas e círculos e cores. Uma bagunça. Bebericava seu chá. Estava frio.
Agitada, levantou da cadeira e se pôs a andar de um lado para o outro , queria sair, mas não sabia o porquê. Olhou pela janela os carros passando. Que rua barulhenta. Que ideia abrir um escritório justo aqui!
Era como se uma tempestade estivesse se armando, não lá fora, mas dentro de sua própria cabeça. Eram tantos pensamentos. Uma cortina de nuvens escuras cobria tudo. Visibilidade zero. Queria sumir e talvez agora ela soubesse o porquê.
No entanto, não dá para fugir do que você mesma guarda dentro de si. Fizera de seu corpo um depósito. Guardou tanta coisa que agora inundava. E ficou ali parada, no meio da sala, olhando a mandala, olhando o relógio, transbordando, não vendo a hora passar.

sábado, 4 de outubro de 2014

Escrever é preciso.

É muito difícil lutar contra meus próprios impulsos. Algo escuro que está no fundo da alma, mas que às vezes vem para a superfície com toda força. Emerge formando uma onda gigante, forte, que forma uma corrente. Nado contra a correnteza. Estou com aquela sensação de que algo ruim está por vir. A saliva espessa tem um gosto amargo na minha boca. Lágrimas que não querem verter inundam minha garganta. Tento engolir em vão. Novamente estou escrevendo porque preciso. É certo que gosto de escrever, porém nessa situação as palavras me servem como válvula de escape. Talvez assim consiga me desvencilhar um pouco da carga pesada que eu mesma insisto em colocar sobre as costas.