quarta-feira, 16 de julho de 2014

Daily drops: Sobre ser futura médica...



"Ei você que está parada aí no meio do caminho, dá para se mover? Estou querendo passar!". Eu me sinto exatamente assim quando estou na sala amarela ou na vermelha da emergência. Tenho a nítida impressão de que o acadêmico está sempre bloqueando o caminho, atrapalhando de alguma maneira, então, timidamente, acabo me juntando à residente ou encostando num cantinho. 

Nesse momento tenho uma visão ampla da sala, dos acontecimentos. Os sons parecem se abafar por uns instantes e retornam, aos poucos, um a um enquanto vou absorvendo a quantidade enorme de informações. Nesse momento reparo nos pacientes, vejo nos olhos o medo e o desespero de alguns, a calma de outros. "Ei doutora!". Doutora, eu? É, doutora, se está de jaleco você é doutora! "Doutora, tem remédio para dor?", "Doutora, quando poderei ir embora?", "Você pode tirar minha pressão? Estou tão nervoso, vou operar!". 

Foi em um momento desses que descobri que alguns atos, simples mesmo, como aferir a pressão de um paciente, contar a frequência cardíaca, fazer uma ausculta, ou apenas falar com o paciente, são importantes. São gestos que transmitem confiança, carinho e suporte ao paciente, que se sente visto por alguém e que não é apenas mais um naquele mar de pessoas passando mal.  Um simples pedido de um paciente para "tirar" a pressão dele em meio à bagunça da emergência me fez ter esse insight. Obrigada, pacientes, vocês são os que mais me ensinam. E é aos poucos, fora dos livros, que vou me tornando cada vez mais médica.

sábado, 5 de julho de 2014

Poesia, num momento de agonia...

Escolhas.
Consequências.
Por que sempre escolho errado?
Mesmo sabendo a resposta certa,
Olho para o outro lado,
Dou as costas para o que está na minha frente!
Por que o caminho mais difícil é sempre o escolhido?
Talvez a vida seja simples,
Eu que complico tudo!

-Mariana Carpilovsky (05/07/2014)

terça-feira, 24 de junho de 2014

Fazendo um castelo com cinco ou seis retas por aí...

Quando eu era pequena eu não podia ficar sem lápis e papel por perto. Se alguém quisesse fazer meu dia bastava chegar com lápis de cor ou canetinhas coloridas. Naquela época eu não só realmente pegava uma folha qualquer e desenhava um sol amarelo, mas também muitas outras coisas que íam desde flores a seres mitológicos e criaturas fantásticas. Aquele mundo no papel era meu, eu tinha o controle sobre ele, eu que criava o que estava ali.

Nos últimos anos eu fui sugada pela faculdade. Eu vivia em função dela, respirava medicina, só pensava em medicina e então eu fui me esquecendo. É engraçado isso de que buscamos uma formação que tem como objetivo zelar pela saúde dos outros e , ao mesmo tempo, esquecemos da nossa saúde. Às vezes penso que esquecemos quem somos... 
Não digo saúde física somente. Falo da saúde como um todo. Isso envolve muitas variáveis as quais não vou ficar esmiuçando aqui. Meu objetivo com esse texto é só chamar atenção de que nós temos que ter uma vida por trás da medicina, isso inclui hobbies. E não digo um só hobby. Um só eu tinha, eu lia, aliás, leio muito ainda. No entanto precisamos buscar coisas novas, que nos estimulem, que sirvam como um escape. E eu descobri um agora, aquarela.

Sabe aquela tinta que vinha junto com uma revista e um pincel e que você misturava com água e acabava fazendo uma lambança lamacenta amarronzada com todas as cores quando era pequeno? Então... Essa aí mesmo! E, vou contar uma coisa, muitos acham que aquarela é pra crianças, mas a técnica é muito difícil. Controlar a tinta e a água no papel não é um trabalho tão simples. Não que eu tenha alguma, apenas estou aprendendo, via youtube, a pintar um pouquinho. E, sabem de uma coisa? Estou adorando! Abri um túnel do tempo e voltei ao meu mundo encantado colorido!

Bom, é isso, essa sou eu tirando a poeira do blog.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Sobre novos rumos e caminhos

Um dia acordei e foi como se um vento tivesse passado por mim e levantado a poeira toda, levado tudo para bem longe. Tudo o que era já não é mais, agora o que não era é. Uma sensação de estranhamento invadiu minha mente, fiquei um tempo ainda deitada, paralisada.

Acordar em um mundo que não é o seu é difícil. Ser lançada para fora da sua zona de conforto dá medo. Primeiro vem a ansiedade atrelada à mudança ocorrida, depois vem o momento em que estou, em que me acostumo à nova realidade. É como se eu tivesse passado um tempo grande em um lugar escuro e esteja vendo a luz novamente. Tem que abrir os olhos devagar para não doer. Um passo de cada vez.

Passo a passo aprendo a lidar com o novo, que invade minhas veias, meu corpo. Começo a fazer escolhas, a me arriscar um pouco, a experimentar mais. Já não estou encolhida ou tateando paredes no escuro, isso passou. Agora contemplo tudo, amplio horizontes. São muitas direções e caminhos e não saber por onde andar assusta. Certamente, outrora eu teria dado meia volta e escolhido um canto para sentar, encolhida, de olhos fechados.

sábado, 31 de maio de 2014

Liberte a criança dentro de você! Mais sobre o sal da vida...

Garota pequenina
Brincando de amarelinha.
Pulando e saltando
Chega ao céu.
Risos,
Gargalhadas,
Palavras cantadas,
Caretas!
Menina borboleta,
Com varinha de condão.
Não quer mais ver as estrelas?
O que aconteceu?
Pequena, não se esconda
Se tem medo abra seu sorriso,
Ele é que abriga,
iluminando a vida!

-Mariana Carpilovsky,  31/05/2014

terça-feira, 27 de maio de 2014

E os peixinhos a nadar....


Já não é a primeira vez que chego em casa antes de todos. Casa escura, aquário apagado, silêncio. Sensação desagradável essa de chegar sozinha, mas, para o meu conforto, a luz do aquário logo se acendeu. 
Quando acontece isso fico sentada no sofá, sem fazer nada, olhando os peixes e eles me olhando de volta, todos amontoados num canto mais próximo de mim, querem comida, óbvio. Fico alguns instantes ouvido o barulho do filtro, vendo as bolhas de ar e meus bichinhos coloridos nadando para lá e para cá. Esse aquário me acalma.
Penso na vida, penso no cansaço e na minha orelha inflamada que lateja. Um louco passa berrando no Play. Eu rio. Separo uns artigos da pilha dos artigos que eu junto para nunca serem lidos por falta de tempo e pelo esquecimento. Deito no sofá e, com um sorriso no rosto, pensando que, apesar de tudo, eu estou fazendo o que gosto, começo a ler. E os peixinhos continuam nadando.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Impressões do internato: Gineco

Eis que meu rotatório chegou na gineco. Aliás, chegou há um tempo, eu que deixei o blog meio empoeirado nessas últimas semanas.

Eis que mordo a minha língua. Eu, que sempre fui muito firme dizendo "eca, ninguém merece gineco!", "é muita intimidade exposta", "não gosto de ficar examinando vulva e vagina!", agora vejo que a especialidade não é tão ruim assim.

Ainda continua não sendo a especialidade para mim, eu ainda me sinto desconfortável e não posso dizer que eu goste de toque e exame ginecológico.  Eu retiro o que eu disse!! Estou total in love! Essa passagem pelo serviço de ginecologia fez com que eu aprendesse a admirar essa especialidade, justamente por causa do carinho com que as pacientes são tratadas, o cuidado e o respeito. 

Aliás, nós internos somos respeitados e todos os professores e médicos têm a maior paciência e disposição do mundo para ensinar, explicar e de nos ouvir. O ensino é o diferencial da rotatória de gineco no HUGG, nós não estamos lá para tocar serviço, estamos lá para de fato aprender medicina! Eles conseguem fazer com que os alunos "ginecofóbicos" (como eu) acabem gostando do ambulatório e da prática. Quem dera o internato fosse inteiro igual ao de gineco! Não é a toa que muitos colegas que passam por lá se apaixonam pela especialidade!